Poucas serão certamente as áreas da medicina que se centram no doente como a cirurgia em regime de ambulatório. Pelo facto do doente ir para casa no mesmo dia em que é feita a intervenção cirúrgica, o acompanhamento, informação e atenção dada ao utente antes e após a cirurgia redobram-se por parte dos vários profissionais de saúde envolvidos. Uma das ferramentas deste procedimento é o telefonema feito nas 24 horas que se seguem ao ato cirúrgico, como forma de monitorizar a evolução do pós-operatório e também de tranquilizar o próprio paciente, mostrando que o mesmo não foi esquecido depois de receber a alta hospitalar. Mas há mais! A Revista Pontos de Vista esteve à conversa com Carlos Magalhães e Vicente Vieira, Presidente e Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Cirurgia Ambulatória (APCA), ficando a conhecer esses procedimentos, que fazem deste tipo de cirurgia um modelo de qualidade centrado no doente.

A APCA foi criada com o objetivo de promover a cirurgia ambulatória e encorajar a expansão de programas de elevada qualidade no âmbito da cirurgia neste regime, entusiasmando e sensibilizando, desta forma, todos os profissionais de saúde para o interesse e importância da cirurgia ambulatória no Serviço Nacional de Saúde.

As vantagens são evidentes. “É um regime obviamente vantajoso porque é mais barato e mais seguro, uma vez que há um menor risco de infeções e tem elevados índices de qualidade. Creio que o Ministério da Saúde e os próprios hospitais já o perceberam e, por isso, esta é uma das áreas que mais tem crescido a nível da saúde em Portugal, havendo algumas especialidades que paticamente já só fazem a sua intervenção em regime de ambulatório, de que é exemplo a oftalmologia. O desafio é fazer com que em todas as especialidades incluam um maior número de procedimentos em regime de ambulatório, conseguindo assim com que se libertem inúmeras camas. Se realmente for feita uma aposta mais eficaz no regime de ambulatório conseguiremos reduzir a necessidade de camas de internamentos dos serviços em 20 ou 30 por cento”, afirma Carlos Magalhães.

24 horas por dia ao dispor do paciente

Mas se libertar as camas dos hospitais e diminuir as listas de espera para intervenções cirúrgicas são duas das principais necessidades do SNS, mudar o paradigma da saúde em Portugal para um sistema que centre a organização dos serviços no doente e não nas unidades de atendimento, também é prioritário.

Este foco no utente é umas das principais caraterísticas da cirurgia em ambulatório. Vicente Vieira explica como: “este regime tem obrigatoriamente que ter a sua atenção toda centrada no doente, por questões de segurança. É feita uma avaliação pré-operatória bastante cuidadosa e uma seleção criteriosa dos doentes para cirurgia ambulatória. Depois da intervenção, é dada muita atenção ao controlo da dor no pós-operatório e à presença de náuseas e vómitos porque a nossa preocupação é sempre o bem-estar do doente e essa preocupação não termina no momento da alta. Nas 24 horas que se seguem entramos em contacto telefónico com o utente, no qual fazemos um pequeno questionário. Outro aspeto que dá grande segurança ao doente é o facto de ter um número de telefone para entrar em contacto com a equipa hospitalar que o acompanhou a qualquer altura, 24 sob 24 horas. Isto é um modelo de funcionamento centrado no doente por excelência e que visa antes de mais a segurança, mas também o conforto e a satisfação dos utentes”. Talvez por essa razão, o nível de satisfação auferido nos inquéritos é elevado.

O acompanhamento e o ensino são duas características fundamentais do regime em ambulatório, uma vez que, ao contrário das outras especialidades cirúrgicas, o doente não fica ao cuidado de profissionais de saúde após a intervenção. Urge por isso que seja redobrada a formação dada aos familiares e/ou cuidador e ao próprio relativamente aos cuidados a ter no pós-operatório para que este corra sem qualquer tipo de problemas.

O facto de ainda haver pessoas que não têm quem possa cuidar delas nos dias que se seguem ao acto cirúrgico é uma das poucas limitações de um regime em que o doente vai para casa no próprio dia mas, apenas nesses casos e nos procedimentos que não podem ser realizados em ambulatório é que a cirurgia ambulatória não deverá ser considerada em primeiro lugar. Esta é a visão da APCA.

Uma das propostas da associação vai exatamente nesse sentido. “Existem muitas patologias em que a nossa sugestão é simples: sempre que o cirurgião fizer a inscrição do doente, este deve aparecer em regime de ambulatório. Se quiser operá-lo com internamento então terá de justificar essa situação, por exemplo, por falta de alguém que preste apoio no pós-operatório. Esta era, na nossa opinião, uma medida que deveria ser introduzida pelo Ministério da Saúde no sentido de obrigar os hospitais a orientar para ambulatório os pacientes e as patologias que devem ser orientados para esse regime”, afirma Carlos Magalhães.

Em apenas dez anos, a percentagem de cirurgias ambulatórias subiu dos 15 para os 55 por cento. Para que esta percentagem suba ainda mais é importante mudar algumas mentalidades, começando pelo médico de família, “que às vezes ainda é um bocadinho resistente à mudança. É este que orienta e referencia o paciente por isso tem que ser o pilar central nesta desmistificação”, refere o Presidente da Associação.

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